A Europa como espaço de civilização (II)

Entre o nacional e o mundial, encontram-se os Espaços de Civilização. É sobre este facto espacial que se estruturam as novas territorialidades económicas; e é também sobre este facto que novas unidades políticas estão prestes a nascer, a partir do Estado-Nação, tal como este emergiu lentamente, durante a Idade Média, a partir da ordem senhorial. As regiões planetárias, mesmo as mais incertas, devem considerar-se como o núcleo dos futuros Grandes Espaços.
Sem limites, um espaço político não pode existir; a lógica política é uma lógica de enraizamento territorial, de fronteiras que delimitam o campo do exercício da soberania. O futuro Grande Espaço Europeu deverá ser necessariamente limitado, o que implica uma reflexão prévia sobre esses limites.
A Norte e a Oeste, as fronteiras do continente europeu encontram o seu «limes» evidente nos oceanos Árctico e Atlântico. No Sul, apesar do lirismo mediterrânico, é evidente que, após as conquistas árabes do Medievo, o «Mar Branco» (nome árabe do Mediterrâneo) alberga nas suas costas Norte e Sul dois tipos diferentes de civilização. Esta é também a principal razão para excluir a candidatura turca à União Europeia. A Este, pelo contrário, os limites que separam a Europa e a Ásia são menos evidentes. Após o golfo da Finlândia-Mar de Azov, a península europeia funde-se com a imensidade da planície norte-asiática; o espaço abre-se e as fronteiras do velho continente flutuam ao ritmo dos movimentos dos povos e das correntes de civilização. Assim, tivemos a seu tempo a Rússia de Kiev (sécs. IX a XII) edificada como vanguarda europeia sobre o eixo do Báltico ao Mar Negro (recordemos que no ano de 1044 o Grão-duque Iaroslav enviou em matrimónio uma das suas filhas a Henrique I de França); mas as invasões mongóis do século XIII alteraram a situação. Moscovo caiu em 1238, Kiev resistiu até 1240 e, por muitos anos, a Ásia estendeu-se desde Chipre até ao Dniepr. No século XVI, após a tomada de Kazán (1551) e de Astrakán (1556), Ivan o Terrível estende a «ecumene» europeia por todo o Volga. Moscovo torna-se um dos pólos espirituais da nossa civilização. No século XVIII, após novas vitórias, o geógrafo oficial da corte de Pedro o Grande, Tatichtchev, coloca nos Urais o limite geográfico entre a Europa e a Ásia. Estas modestas montanhas, facilmente franqueáveis, nada mais são do que um simples convencionalismo: depois da aventura dos cossacos de Yermak, no século XVII, a Rússia tomou posse das imensidades siberianas e a Europa, enquanto civilização, estendeu-se, de facto, desde o Atlântico até ao Pacífico.
Na sua infinita riqueza, a tradição política europeia apresenta-nos, fundamentalmente, três tipos de «polis»: a Cidade, o Estado e o Império. Os dois primeiros modelos convêm aos pequenos espaços mais ou menos restringidos, e é por isso que a ideia de «Império» merece actualmente a nossa atenção. A concepção imperial é possuidora de conotações precisas enquanto objecto de estudo no campo da filosofia política: o Império é um tipo de unidade política que associa as etnias, os povos e as nações mais diversas, reunidas em torno de um princípio de soberania de carácter moral. Respeitador das identidades, o Império é animado por uma soberania fundada nas alianças mais do que no controlo territorial directo. Fundar um Império, já foi dito, é circunscrever um mundo. Geralmente coincidente com uma área cultural, o Império é, efectivamente, a expressão política institucional do «patriotismo de civilização» (J. Evola).
Assim, face aos EUA e às novas civilizações emergentes, a Europa tem de se construir sobre uma base federal que reconheça a autonomia de todos os seus componentes e organize a cooperação entre as regiões e as nações que a constituem. A civilização europeia construir-se-á sobre a soma – não a negação – das suas culturas históricas, permitindo assim a todos os seus habitantes tomar plena consciência das suas origens comuns. A chave de cúpula desta Europa deve ser o princípio de subsidiariedade: em todos os níveis, a autoridade inferior delegará o seu poder na autoridade superior apenas nos terrenos que escapam à sua competência. O novo «Império», que será um Império de Vladivostok a Reiquiavique, representa de alguma forma a «Grande Jónia» no plano do pensamento e a «Grande Roma» no plano do poder político.
Para isso, a Europa deve libertar-se do jugo que a asfixia desde 1945. Trata-se de expulsar os EUA da Europa. Por todos os meios. Há que considerar tudo para destruir a presença americana na Europa. O nosso objectivo deve ser: nem um só soldado americano nos territórios europeus. Não se trata, pois, de tomar distâncias. Trata-se de destruir a política americana na Europa, de expulsá-los dela.
Celtas, germanos, gregos, eslavos, escandinavos, latinos, iberos, ou mais exactamente Nós, os seus descendentes, temos que nos considerar agora um único povo, herdeiros da mesma terra, uma imensa pátria com recursos colossais em matérias-primas e em energias humanas, nascida de uma História comum. A Grande Europa será o maior território político unificado de toda a história da humanidade, estendendo-se sobre catorze meridianos. «Só existe política para aqueles que aspiram à grandiosidade», dizia Nietzsche.
A nossa fronteira está na Mongólia frente à China. Sobre o Atlântico e o Pacífico frente à república imperialista norte-americana, superpotência única mas cujo declínio geoestratégico e cultural começa a dar os seus primeiros sintomas. E sobre o Mediterrâneo e o Cáucaso, frente ao bloco muçulmano que será a primeira fonte de ameaças, mas também, se formos fortes, um excelente parceiro…
Temos a sorte, Nós, descendentes de povos irmãos, de possuir um espaço potencial que poderá constituir para os nossos filhos aquilo que Carlos V sonhou e que não pôde manter: «um Império sobre o qual o Sol nunca se põe». Finalizo esta intervenção com umas palavras de G. Faye do seu livro «Arqueofuturismo» que expressam de forma clara, o que poderíamos denominar de Europa-esperança:
«A constituição de um conjunto eurosiberiano seria, para a História humana, uma revolução muito mais importante que a efémera construção da União Soviética ou dos Estados Unidos da América. Este acontecimento de alcance mundial só se poderia comparar à construção do Império Chinês ou do Império Romano.
Amanhã: do golfo de Brest ao de Port Arthur, das nossas ilhas geladas do Árctico ao Sol vitorioso de Creta, da meseta da estepe e dos fiordes aos montes baixos, cem nações livres e unidas, agrupadas num Império, poderiam talvez conceder-se o que Tácito chamava o Reino da Terra, Orbis Terrae Regnum.»
- Juan António Llopart

posted by Nacionalista @ 10:23 da tarde,

1 Comments:

At 1:09 da tarde, Anonymous L said...

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