Transcrevo a seguir dois posts de uma discussão antiga que houve no Fórum Nacional porque me parecem importantes.
* * *
Julius Evola:
Na realidade Pascoaes pode ser contrariado porque ele define uma suposta “raça portuguesa” (coisa que nem existe) dando-lhe um carácter único entre os outros povos incluindo os europeus e mais concretamente os nossos vizinhos espanhóis.
Ora essa fusão que tanto agrada a Pascoaes e que supostamente estará na origem desse sentimento exclusivamente português que é manifestado pela saudade e que seria o catalizador do renascimento nacional parece na óptica do dito poeta não ter existido na Espanha ou no sul de França, só para dar alguns exemplos.
As influências semitas na origem das nossas características únicas parecem não ter ocorrido nos outros países europeus onde também viveram povos semitas, comecemos pelos judeus.
Ou não existiu essa influência judaica ou sendo exclusiva dos sefarditas (que teriam de ser os únicos judeus semitas na Europa para dar lógica à ideia de Pascoaes, caso contrário os judeus ashkenazi terão influenciado muito mais o centro e norte europeu) teria também de se alastrar à Espanha. Aparentemente, para Pascoaes, na vizinha Espanha os judeus sefarditas não criaram nenhuma cultura específica nem nenhum sentimento único de saudade, esquecendo-se também que grande parte dos judeus foram mortos ou expulsos da península durante a Inquisição. É verdade que muitos judeus foram convertidos pela força ao cristianismo em Portugal mas uma grande parte continuou a praticar o judaísmo de forma secreta, conhecidos por marranos, e estes judeus acabaram um século depois da Inquisição (os que não tinham já sido mortos ou expulsos) por sair massivamente de Portugal para outros países europeus, sobretudo a Holanda e outros acabaram por emigrar também para o «novo mundo» e não reconheço na Flandres como nas «Américas» nenhum sentimento característico de saudade ou algo a isso semelhante.
No campo genético e em relação à questão racial dos judeus, é verdade que a maioria deles são caucasianos, porém os judeus têm uma herança genética própria, sobretudo os semitas, os tais a que Pascoaes faz referência, em relação a isso coloco aqui apenas esta pequena passagem de um estudo genético conduzido pela professora Ariella Oppenheim publicado no «American Journal of Human Genetics» e que pode ser consultado na totalidade no link que eu disponibilizei; passo a transcrever:«The researchers say that a genetic analysis of the chromosomes of Jews from various countries show that there was practically no genetic intermixing between them and the host populations among which they were scattered during their dispersion – whether in Eastern Europe, Spain, Portugal or North Africa.» (http://www.freerepublic.com/focus/f-news/890777/posts)
Se alguém precisar de tradução diga-me que eu traduzo, mas o que ali está escrito mostra bem que é possível distinguir geneticamente os portugueses dos judeus e que não houve qualquer fusão racial entre a nossa população e os judeus, só para que isso fique claro.
Assim temos de deduzir que esse sentimento, essa cultura única, essa “raça” particular de que Pascoaes fala poderá ter sido sobretudo causada pela ocupação árabe, comecemos pela questão biológica; ora tendo em atenção que a ocupação árabe terá durado entre 200 a 500 anos na península (dependendo das regiões) como se explica que estudos genéticos realizados tenham mostrado uma maior incidência de marcas genéticas características das populações árabes/norte-africanas, nomeadamente o HG 25.2 e o HG 25.1, na Lombardia e no sul de França, onde a ocupação árabe durou cerca de 20 anos, do que nas populações da Andaluzia, zona em que os árabes viveram os tempos de maior fulgor na Ibéria?
Os estudos realizados pelos geneticistas não deixam dúvidas, o Pascoaes pode ter escrito o que bem lhe interessou mas cientificamente os estudos genéticos realizados aos povos ibéricos e à população portuguesa em particular demonstram que temos uma herança genética claramente europeia, mesmo a presença genética negróide em Portugal que tem o seu valor mais alto no sul é absolutamente insignificante e isto está comprovado por vários estudos, nem herança biológica judaica nem árabe nem negra é encontrada no DNA português em percentagem significativa.
Assim essa fusão única de que fala Pascoaes apenas poderia ser entendida ao nível cultural, em face da nossa ascendência biológica puramente ariana.
Será a influência espiritual semita que terá criado na alma lusa algo de único; esta não pode ter vindo dos judeus porque sempre foram comunidades fechadas e com uma mentalidade muito própria, os judeus sempre viveram espalhados pelo mundo, e pela Europa em particular, e nunca nenhuma cultura saudosista foi por eles criada, quanto muito são bem conhecidas as características materialistas e pouco espirituais dos judeus. Sobra a influência meramente cultural dos árabes que ocuparam a península, embora tenha existido uma herança cultural (e apenas cultural) nunca poderá ser entendida como decisiva para a alma nacional e jamais em proporções equivalentes às das nossas origens biológicas e culturais estritamente europeias, como Pascoaes dá a entender, isto pelas razões mais óbvias, não só porque biologicamente não influenciaram a nação portuguesa mas também porque desde 1250 que haviam sido expulsos de Portugal, tendo em consideração todos estes factores parece-me óbvio que o peso da herança ariana portuguesa é incomparavelmente superior a qualquer outra herança, quer biologicamente quer culturalmente, para Pascoaes, ao que parece, estas influências conjugaram-se na alma do nosso povo de forma equivalente… lamento mas para mim esta ideia não é defensável.
Strasser:
Não tenho querido entrar nestas discussões, mas agora vou fazer alguns comentários.
Normalmente nestas matérias existem grandes confusões: por exemplo, sobre a presença árabe no território que hoje é Portugal.
Eu creio que essa presença física terá sido reduzidíssima, de modo que do ponto de vista genético é quase impossível encontrar marcadores próprios das populações árabes na população portuguesa.
A confusão frequente nasce da identificação entre islâmico-muçumano-mouro-árabe. Fala-se como se tudo fosse a mesma coisa.
E não é assim. O território português viveu realmente sob regimes que tinham a religião islâmica ou muçulmana, mas os povos que protagonizaram essas épocas não eram árabes. Tratava-se ou das próprias populações locais, romanizadas ou sobretudo pré-romanas, que se converteram ao islamismo quando e por causa do predomínio político dessa religião, ou de camadas invasoras vindas do Norte de África mais próximo, a que é correcto chamar mouras ou berberes, mas que também não são árabes – tinham-se convertido ao islamismo elas próprias.
Portanto, falar de período de cultura "árabe" está certo (a religião islâmica torna obrigatória o uso da língua do Profeta, o árabe) mas invasões de árabes, pessoas de raça árabe, não é correcto: nem a longínqua Arábia tinha tal potencial demográfico. Quando muito terão chegado até este canto da península algumas elites governativas e militares de origem árabe – mas sempre em número reduzido demais para deixar grandes marcas no sangue.
Posteriormente quando decaiu o poder islâmico e o cristianismo voltou a dominar deu-se um fenómeno paralelo: a grande maioria da população ficou, aderindo aos novos senhores.
Em resumo, eu acho que o que existe no território português é sobretudo uma grande continuidade, desde os tempos pré-romanos. A mesma população foi ficando, adaptando-se às conjunturas.
Se tentarmos agora encontrar parentescos entre a população dominante em Portugal e grupos extra-europeus parece-me provável que se encontrem semelhanças com as pessoas das tribos berberes do Norte de África (existem sobretudo no interior de Marrocos e da Argélia). Mas isto parece-me simples de explicar: os berberes são hoje altamente minoritários no Norte de África porque nessa região efectivamente o elemento árabe foi-se impondo e dominando ao longo dos séculos e séculos que se seguiram. Mas os berberes na sua origem eram idênticos aos iberos (a palavra é a mesma), portanto as tribos berberes são nossas primas…
Brincando um pouco: o Zinedine Zidane, que é berbere e não árabe, ainda será nosso primo, embora a raça dominante na Argélia seja já esmagadoramente árabe por força das migrações sucessivas durante séculos.
O mesmo acontece aliás no Egipto, onde existem apenas uns seis milhões de coptas, que são os verdadeiros descendentes dos egípcios antigos, para uns sessenta milhões de árabes, provenientes das migrações e do domínio.
O domínio dos árabes no Norte de África criou essa realidade, até ao Marrocos e à Mauritânia. Mas no território que hoje é Portugal nunca chegou a dar-se esse fenómeno demográfico de substituição.
Por isso, e ao contrário do que era hábito dizer-se, o mapa genético da população portuguesa até é notavelmente homogéneo.
E chega, por agora, que isto já vai longo!

posted by Nacionalista @ 1:48 da manhã,

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