Fascismo e antifascismo

Este [o Fascismo] possui, porém, mais uma forma de actualidade – e uma forma curiosa. É que muito do Fascismo está presente no antifascismo que arrebatadamente condena o primeiro.

Senão, vejamos.

O antifascismo exalta o pluralismo ideológico, aplaude o multipartidarismo, louva a existência de oposições fortes, entende dever-ser indeclinável que os governados sejam os governantes (democracia), sem falarmos num ponto especial a que dedicaremos ulteriores considerações.

Suponhamos, porém, que há imensas pessoas (milhões, por exemplo, como sucedia na Alemanha, em 1933) que são contra o pluralismo ideológico, contra o multipartidarismo, contra a existência de oposição forte, contra a democracia. Ser-lhes-á permitido organizar-se, para fazer enérgica propaganda das suas perspectivas? Nem por sombras! O antifascismo exige que todos respeitem o pluralismo ideológico, o multipartidarismo, a possibilidade de oposição, a democracia. Quer dizer, o pluralismo ideológico torna-se a ideologia oficial imposta pela força, o multipartidarismo uma tese incontestável, a existência de oposição ninguém se pode opor a ela, a democracia representa algo de intangível.

E eis que no antifascismo teremos uma série de ensinamentos, dogmas (que é o que a palavra dogma significa) que a ninguém é lícito rejeitar. Surge, assim, uma crença obrigatória, que é, precisamente o que o antifascismo censura, indignado, no Fascismo.

Designemos os tópicos que referimos por regime demo-liberal. Será legítimo insurgir-se contra tal regime ainda que só pela oratória e a doutrinação permanente? O antifascismo declara logo que não. O seu pluralismo ideológico, o seu multipartidarismo, o seu culto da oposição, o seu democratismo tornam-se um monolitismo de tipo fascista tutelada pelo braço secular, à semelhança dos tempos da Inquisição.

Debrucemo-nos, especialmente, sobre dois momentos da temática antifascista – o multipartidarismo e a existência da oposição.

Como vimos, só são consentidos partidos antifascistas e uma oposição antifascista. Por outras palavras, só se concebem partidos e oposição dentro do regime demo-liberal. O que equivale a dizer que os partidos não podem opor-se no fundamental, logo reduzem-se a subsecções do um partido único.

O regime ou sistema não admite oposição ou partidos contra ele. O multipartidarismo não passa de uma mentira e nenhuma verdadeira oposição se vislumbra. Partidos, mas todos com a mesma política de base, oposição mas nunca ao Sistema.

posted by Nacionalista @ 7:06 da tarde,

3 Comments:

At 10:48 da tarde, Blogger Thoth said...

Esta escrita do professor é sublime!

Cumprimentos

 
At 2:31 da manhã, Blogger Rouxinol said...

"Suponhamos, porém, que há imensas pessoas (milhões, por exemplo, como sucedia na Alemanha, em 1933) que são contra o pluralismo ideológico"
Nada no programa do NSDAP em 33, fazia prever que eles iam queimar o Reichstag e fazer passar leis ignorante o mesmo. Mas para isso tiveram 2/3 do parlamento, para o aprovar.

"O antifascismo exige que todos respeitem o pluralismo ideológico, o multipartidarismo, a possibilidade de oposição, a democracia."
O antifascismo não, a Constituição.

"Será legítimo insurgir-se contra tal regime ainda que só pela oratória e a doutrinação permanente?"
Sim. O máximo que pode acontecer é seres ridicularizado

"O que equivale a dizer que os partidos não podem opor-se no fundamental"
Isso quer dizer que para ti, o fundamental é a democracia parlamentar?? A existência de partidos?

 
At 6:16 da tarde, Blogger Vanguardista said...

«Nada no programa do NSDAP em 33, fazia prever que eles iam queimar o Reichstag e fazer passar leis ignorante o mesmo. Mas para isso tiveram 2/3 do parlamento, para o aprovar.»

Portanto, em 1933, ninguém suspeitava sequer que o NSDAP não era um partido democrático. Ok.

«O antifascismo não, a Constituição.»

Mas se a Constituição é antifascista...

«Sim.»

Sim? Estás a dizer que, por exemplo, é perfeitamente legal fundar um jornal em que se faça o elogio de Mussolini ou de Hitler e dos seus regimes?

«O máximo que pode acontecer é seres ridicularizado»

Ri-se o roto do esfarrapado.

«Isso quer dizer que para ti, o fundamental é a democracia parlamentar?? A existência de partidos?»

A forma como o poder político se organiza não é fundamental?

 

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