BEM DO POVO E NÃO POVO QUE GOVERNE

A crítica é já antiga, mas pertinente, sempre! A democracia é uma ilusão, uma fraude. O povo não governa, mas pode fingir-se que é ele o detentor do poder. Quando o povo manda, não manda ninguém, está-se numa anarquia plena, numa confusão aniquiladora, em completa desordem. A mentira democrática, afinal, consiste no ludíbrio, mais ou menos hábil, pelo qual se convencem as massas que são elas a escolher e a decidir, elegendo os seus candidatos. Por um lado, a governação pertencerá, nesse caso, aos eleitos da maioria, com opressão das preferências da minoria, ainda que esta seja extensa. Por outro lado, mesmo a maioria vencedora terá sido conduzida pelos interesses privados e influentes, desde as máquinas de partido até aos potentados sociais e económicos (senhores do dinheiro, da imprensa, da rádio, das campanhas publicitárias e propagandísticas, dos centros de opinião, etc.). As informações, as ideias conformadoras, os ambientes entusiasmadores, ficam nas mãos de quem pode desenvolvê-las, com força, insistência, largueza. As combinações e apaniguamentos, os núcleos interesseiros e dominantes, devoram as sinceridades e as opiniões das massas.

A democracia é o reinado da oligarquia e da plutocracia.

Só um poder independente e idealista poderá vencer esta situação vergonhosa, exploradora. Somos, portanto, antidemocráticos.

Queremos, no entanto, e por consequência, que a democracia seja banida, mas que a demofilia, o bem do povo, o amor ao povo, o bem comum se instaurem.

Com a vitória do bem nacional, do interesse nacional, correrá pelas veias da Pátria, por todo o povo, o benefício, chegando aos sectores privados, aos compartimentos regionais, às classes e profissões, às famílias e aos indivíduos, organicamente, hierarquicamente, mas em conjunto.

Combatemos uma situação que só procure a instalação de interesses plutocráticos, de gigantismos económicos, de negociatas egoístas, coisas odientas mascaradas com a defesa da ordem e do interesse nacional. Requeremos uma limpeza dos quadros, um revigoramento da Revolução, um idealismo sobreposto à máquina de Estado tecnicista e burocrática. Somos a favor da política, opomo-nos à rotina onde proliferem os videirinhos e um capitalismo apátrida, às vezes rotulando-se de grandes nomes e conspurcando os altos valores.

Desejamos um governo que governe, que não se envergonhe da sua razão e verdade, que não tema desagradar à opinião, mas que não se entregue nas mãos nem dos comunistas nem dos plutocráticos, da oligarquia ou da democracia, do materialismo, enfim.

Continuamos, pois, fiéis ao lema e à afirmação de Salazar: a Revolução continua!
- Goulart Nogueira (In Agora – n.º 324, pág. 1, 30.09.1967)

posted by Nacionalista @ 4:51 da tarde,

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